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Quinta-feira, 6 de Maio de 2010
OBSERVÂNCIA NÃO É RESTRIÇÃO

 

OBSERVÂNCIA NÃO É RESTRIÇÃO Rabino Nilton Bonder Um dos conceitos que normalmente associamos à observância é o de sacrifício. Observar é sinônimo de restringir-se nas mais diversas áreas da vida. Não comer isto, não poder ir a certo lugar em certa hora etc. Recentemente num debate sobre ética, ouvi a definição de duas áreas de busca da vida humana: a felicidade e o dever. A primeira diria respeito à luta apara não abrir mão de tudo aquilo que desejamos. A Segunda, interferindo na primeira, seria responsável por adequar e temperar a ditadura do imediatismo da busca da felicidade. O dever seria o produto da consciência de metas a médio e longo prazos. O difícil conceito das mitzvot, dos mandamentos e da observância, propõe uma visão menos dicotomizada dos interesses humanos. As mitzvot foram dadas para serem obedecidas; são o cerne do sagrado, mas delas deveria o observante derivar um enorme prazer. "Pois quis o Abençoado Seja trazer mérito a Israel e, para isto, outorgou-lhe mandamentos em abundância", diz a Ética dos Ancestrais. De qualquer maneira, a mitzvá para que possa gerar prazer deve produzir um certo discernimento. E é isto que os não-observantes têm dificuldade em compreender: quem observa discerne e, portanto, não se restringe, agindo assim por escolha deliberada. O filósofo Martin Buber, ao discutir a relação com os mandamentos, utiliza dois conceitos importantes: compromisso e discernimento. O discernimento é obtido pela razão e o compromisso com a tradição. Todo o verdadeiro discernimento deveria levar a uma forma de compromisso. Revolucionária, no entanto, seria a segunda metade do corolário - todo o compromisso devendo levar a um discernimento. Poder comprovar esta proposição significa dizer que a experiência da mitzvá também é da ordem da felicidade - da opção assumida por interesse no melhor de si. A própria essência da mitzvá, de que a priori é uma obrigação, tende a interferir com a possibilidade de ser da ordem da felicidade. Isto encerraria a questão, não fosse o fato do discernimento humano ser limitado e da mitzvá, do feito, da experiência trazer luz ao que o discernimento não pode iluminar. O fazer da mitzvá é também por definição descobrir um sentido que é libertado desde um lugar não-racional. Os comentários rabínicos em profusão afirmam que a mitzvá só pode ser realizada como uma obrigação. Se alguém é vegetariano, por exemplo, e por conseqüência disto observa todas as restrições da kashrut, esta pessoa não é kasher - a kashrut pressupõe um sagrado que a comanda. Sem este senso, apenas com o discernimento (vegetarianismo), não podemos dar conta de algo do mundo do compromisso. No entanto, o senso de sagrado pode incluir outras restrições ainda mais amplas, desde que preservemos a conexão com o ato de sermos mandados. Poderia o discernimento trazer novos compromissos que não estivessem estipulados no próprio compromisso? Diria a tradição judaica que sim, desde que estes novos compromissos não fossem da ordem da abstinência e da auto-flagelação. Estas práticas de sacrifício que existiram em todos os momentos da história foram criticadas e muitas vezes ironizadas pelos rabinos. D'us não precisa de abstenções de coisas boas. A vida é para ser vivida em toda a sua plenitude. Assim sendo, os compromissos extras assumidos em uma observância só seriam aceitos pela tradição se fossem da ordem da felicidade e não da ordem pura e simples da restrição, e só poderiam ser compromissos se não fossem discernimentos racionais. Se seguirmos estas regras, perceberemos que a autoridade para tornar algo kasher, para reduzir ou ampliar suas fronteiras ("é proibido aumentar e diminuir"), não pode se dar no âmbito individual, e sim coletivo. Se uma dada coletividade, mesmo que uma parcela dela, caracteriza certos discernimentos como parte de seus compromissos e se percebe compelida a observar por ordem, por mandamento, acaba de se dar a halachá (a caminhada) da lei. É óbvio que este processo não pode acontecer no tempo de uma moda. Seu tempo é outro, mas não é o sempre. Assim, novos olhares se traduzirão em novos compromissos - novos velhos compromissos. É este o componente de tanta discórdia: o sagrado é uma ordem da convenção e não da razão, mas a convenção é impactada pelo processo de compreensão humana do mundo. Foi isto que os rabinos da Mishná e Talmud fizeram - eles mesmos, como coletividade, instauraram compromissos, marcados pelo discernimento de seus dias. Compromissos e discernimentos criam-se uns aos outros. Num local limítrofe recôndito como o infinitesimal instante-espaço, onde os elementos subatômicos se misturam, existe um compromisso que é puro discernimento e um discernimento que é puro compromisso. Deste local D'us emana sua vontade. Este local teórico é Tsion - de lá se expedirá a Torá. É este lugar da identidade de uma dada geração (ou grupos significativos de uma dada geração) que se exprime na observância do dia. Shabat será sempre Shabat - o dia que D'us descansou. Mas tshulent ser Shabat não será eterno. As roupas não serão eternas, as cidades, os rabinos e, num tempo maior, as idéias de descanso não serão as mesmas. D'us e as idéias acerca Dele/dela não serão as mesmas. Mas haverá Shabat e haverá, quero crer, judeu. Quando pela imaginação do midrash Moisés é levado por D'us a conhecer o futuro e lhe colocam na sala de aula de rabi Akiva, milênio e tanto posterior a ele, não entende o que rabi Akiva fala. A não ser por uma referência a seu nome, desconhece a própria fé da qual é fundador. O sagrado é que haverá Shabat no futuro, pois D'us descansou. Sua observância terá que preservar o senso de que D'us mandou e alguém deverá, muito além de seu discernimento, se sentir comprometido a bancar esta mitzvá. O grande desafio para as nossas gerações, tão profundamente laicas, é resgatar a noção de que ser mandado (metsuvé) é um componente importante do sentido; de que a observância não é uma restrição mas um discernimento de outra ordem: um compromisso. Desconfortavelmente próxima da obsessão e do controle, a questão da observância é mais séria e profunda de todas as questões a serem colocadas por uma cultura. Descobrir-se mandado é poder romper com todas as relativizações que a racionalidade nos permite. É o resgate de um componente intuitivo e instintivo que, como dissemos, compõe o sentido. Quando uma geração consegue sentir-se comandada cabe a pergunta: de que maneira, honrando a percepção de mandados dos ancestrais, nós nos sentimos mandados? A expressão desta resposta é o que de mais importante uma geração uma geração tem a legar para seu futuro. Abster-nos de nossos compromissos, por conta do discernimento, é romper com um encadeamento do passado ao futuro no qual afirmamos da maneira mais eloqüente, pelo fazer, pelo observar, aquilo que de sentido conseguimos dar às nossas vidas.



publicado por ribeiro335 às 19:30
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